sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Da Série "Glimpses of Nirvana": BOOKSHOP CASANOVA (2011)



The Clientele. Indicação do meu amigo Carlos Henrique Leiros. Senti uma afinidade instantânea com esta banda. Há algo em mim que se recusa a desistir de acompanhar bandas de rock. Principalmente as de inspiração folk. Sem contar que adorei a cara deles. Entre o fingimento "normal" e o tédio estudado.

domingo, 17 de julho de 2011

Dos "Cadernos de Poesia": Buquê de Ontem


Hoje é um dia melhor que ontem. Não que haja frutos - ainda.
Suas raízes fincadas no ontem - quão fundo? É uma bênção o não saber.
Hoje se alimenta desse ontem. Até onde? Ela não sabe. Sua fortuna é
o não saber. E uma certa delicadeza ao deslizar entre retalhos 
de pensamentos. Um deles reza: "moldada pela dor,
é depois de esquecida que se escreve a história." Ela hesita, 
os retalhos de uma vida que foi sua - foi isso mesmo que passou com a brisa? 
É assim que uma vida se torna esquecimento? Hoje, hoje, 
ela repete para ver se cola, se os retalhos aderem à folha em branco 
que nasceu agora. Hoje eu devo arder, ela diz, sem saber por que, 
eu devo arder em palimpsestos e códices, in-fólios e missais,
para qual olhar? Quem sabe é o odor persistente das folhas,
quem sabe é o crepitar das páginas amassadas, os rasgos na memória - 
hoje eu devo arder para que o ontem caiba na folha em branco, desenhando
essas pétalas de outro tempo, inventadas noutro tempo, para nascer agora.
Mas então as lembranças estancam devagarinho, vencidas
pelo róseo veludo de umas corolas bordadas na tarde azul.
Então, ela diz, era esta a dor que me moldava?


Words by Livia Soares
Image: Painting by Marco Mazzoni

sábado, 16 de julho de 2011

Frase do Mês


NON SINE SOLE IRIS
NO RAINBOW WITHOUT THE SUN
NÃO HÁ ARCO-ÍRIS SEM O SOL
Anônimo

Imagem: THE RAINBOW PORTRAIT OF ELIZABETH I (circa 1600)
Pintor Anônimo

Da Série "Glimpses of Nirvana": SAMSON (2006)




OK, talvez a canção, o vídeo, tudo - não seja tão lindo nem tão bom quanto eu sinto. Sentir é problemático em termos de arte e essa canção me toca demasiadamente; não sei se já tenho uma sensibilidade suficientemente educada para poder deixá-la à vontade. Mas quando vejo esse vídeo, esse piano gotejando em algum lugar do meu peito e esses versos me acalentando, não ligo a mínima se daqui a um ano ou dois eu, olhando em retrospecto, achar a coisa toda um tanto sentimental demais. Poderei então suspirar e dizer "eu era assim". Que bom que pude amar.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Notas do Terraço



1.Começo hoje estas notas que se destinam a dar conta das minhas leituras mais recentes.Esta semana acabei de ler "Feia - A História Real de Uma Infância Sem Amor", a controvertida autobiografia da juíza britânica Constance Briscoe. É uma leitura angustiante, por vezes aterradora. É difícil imaginar uma infância mais infeliz ou uma pessoa pior do que a mãe biológica dessa pobre mulher. Constance sofre crueldade, negligência e humilhação em níveis inimagináveis para quem teve uma infância normal. E, o que é pior, ela sofre tudo isso nas mãos daqueles que deveriam protegê-la - sua mãe, seu pai, seu padrasto. Por que vale a pena ler? Porque é um relato escrito na contramão do coitadismo, do vitimismo e do politicamente correto. Porque uma menina que teve tudo para dar errado acaba encontrando forças não só para sobreviver, mas para estudar, formar-se em Direito e se tornar uma mulher bem sucedida.E adivinhem onde ela encontra tudo isso: numa escola católica, Sacred Heart Roman Catholic School, onde ela teve, pela primeira vez na vida, uma "sensação de pertencimento". Aos nove anos, tornando-se católica, Constance aos poucos vai aprendendo a se alimentar desse fugidio raio de esperança em seu inferno cotidiano: saber que é especial para Deus, mesmo tendo uma mãe violenta e um pai ausente. Constance hoje é uma mulher vitoriosa, em que pesem as marcas (físicas e psíquicas) dos horrores que ela sofreu quando criança. Quanto à sua "mãe", Sra. Carmen Briscoe, espero que ela um dia receba o castigo prescrito por Jesus Cristo para os molestadores de crianças: ser jogada ao mar, com uma pedra bem grande amarrada no pescoço.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Citação do Mês



"MAS O TEMPO É UM TECIDO INVISÍVEL EM QUE SE PODE BORDAR TUDO, UMA FLOR,UM PÁSSARO, UMA DAMA, UM CASTELO, UM TÚMULO.TAMBÉM SE PODE BORDAR NADA. NADA EM CIMA DE INVISÍVEL É A MAIS SUTIL OBRA DESTE MUNDO, E ACASO DO OUTRO".

Machado de Assis: Esaú e Jacó

Imagem: fotografia de José Boldt

Da Série "Glimpses of Nirvana": LITTLE LION MAN (2009)



Não sei quanto a vocês, mas eu, de vez em quando, preciso inventar uma paixão por alguma banda. Talvez tentando atualizar o impacto positivo dos Beatles e dos Monkees na minha infância... confesso que ultimamente está ficando cada vez mais difícil. E não creio que seja só pelo fato de eu estar mais exigente. Penso que a brutal vulgaridade da vida contemporânea tem nivelado tudo por baixo demais - até mesmo aquilo que, por definição, nunca foi muito mais do que lixo cultural reciclado: a cultura pop. Sim, amigos, a cultura pop me interessa cada vez menos - e digo isso com uma ponta de tristeza... mas nem tudo está perdido. Há cerca de duas semanas, eu dei um jeito de me apaixonar de novo. O nome da banda é Mumford and Sons. Eu olho para eles e só tenho uma palavra: "arrebatador".