sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Dos "Cadernos de Poesia": Mnemosine Não Mora Mais Aqui



Todo poema tem seu esqueleto
que a tua carne não vê, nem poderia.
Assim como os dias vâo fluindo,
inusitadas prendas te alcançam.
O mesmo véu que embaça o olhar
desliza sobre o poema e vai despindo
sem piedade, mas também sem raiva:
o paciente esforço, as horas mudas,
a ocultação dos ossos, a luta contra o Nada.
Tudo se desdobra, enfim, como esperado:
cristaliza-se a espuma dos dias,
das fugas que ficaram por dizer.
Está quase pronto - e faz algum sentido.
Fingidamente perplexo, então, assinas.
Já estás no exílio.

Words by Livia Soares

Image: "Femur", a sculpture by Jodie Carey

6 comentários:

Mésmero disse...

De repente não tenha sentido para você, mas a sua linguagem me lembra muito a minha. Até um pouco do sentido ficcional/realista.

See ya

Graça Pires disse...

O olhar sobre o poema, a cristalizar-se na espuma dos dias. Belo poema. Um beijo.

Tinta Azul disse...

Querida Lívia
As suas belíssimas palavras
deixam-me a pensar...



E o título fez-me lembrar um belo CD do Jan Garbarek.

Um Abraço :)

mdsol disse...

Lindo Lívia. Muito..
:))

Vieira Calado disse...

O exílio vem sempre depois!

Antes, vem o poema (o poeta).


Cumprimentos daqui.

Jorge Elias disse...

Vamos caminhando coletando vidas. Não estas vidas que nos atropelam sem buscar saber da existência. Falo das vidas que mais se aproximam do inumano - a nossa poesia.
É muito gratificante quando encontramos fragmentos que nos dizem sobre nossa procura.
"Pois já não tenho o poder de inventar saudades"
Recolho aquí talvez algo de tí, ou quem sabe de outro que guardastes contigo.

Abraços,

Jorge Elias