sábado, 3 de dezembro de 2011

Notas do Terraço



2. Era pra ser uma notícia sobre o que tenho lido. Mas não vai ser agora. O que tenho lido requer uma organização, uma sequência. O  que tenho a dizer agora é que estou tentando acompanhar o silêncio solene desta hora.O bairro adormecido, os carros quase todos nas garagens, os fiapos da música ao longe. E risos e conversas.E por fim, nem isso.Arrumando a biblioteca, viro presa fácil de antigos cadernos.Quando releio estes escritos, o que mais ressalta é o desespero de uma alma se debatendo: sabendo que Deus está presente, mas tentando negar essa presença, por não se sentir à altura da responsabilidade que Ele lhe reservou em Seus planos.Esse desespero me empurrava para a vaidade, expressa numa necessidade compulsiva de dizer coisas bonitas. Fugir da superficialidade dos ditados, dos chistes, das frases feitas, sentindo que eles têm sua sabedoria. E que, em certos momentos, só a banalidade nos salva. Salva? Mas não, não seria assim. Eis como foi: um dia, Deus teve pena de mim e me libertou da tirania da beleza. Funciona mais ou menos assim: se você tem algo a dizer, saiba que o leitor não se interessa pela sua vida.Não importa como você vive ou viveu. Importa como você leu - e como chegou ao que leu.Se você tem algo a dizer, diga. O estilo virá quase instintivamente - no começo. Mas logo você verá que o instinto não basta - e até pode atrapalhar muito. Você terá que se concentrar na palavra. A palavra que fundou este mundo e com a qual se pleiteia um lugar no Reino dos Céus. Ou, no mínimo, fica-se sabendo que existe um.

Words by Livia Soares
Photo by José Boldt

3 comentários:

Índigo disse...

La palabra y la poesía brotan, más allá de la belleza, de la creencia o de la incredulidad. La palabra vibra y en su fuerza creadora nos acoge. Y el silencio también se hace palabra y poesía y nos alumbra. La poesía es y está como en tus notas de hoy. La poesía atraviesa la piel, como un rayo que no cesa, y crea... Un abrazo añil.

Índigo disse...

Se me olvidaba... bellísima también la foto de José Boldt, con una fuerza tan arrebatadora como tu palabra. Abrazo en añil.

livia soares disse...

Querida Indigo,
um horizonte de entusiasmo é
o que me traz tua visita.
Um abraço.