quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Dos "Cadernos de Poesia": No Limiar






Por vezes, sinto no peito
avultar a forma nítida de um soluço
que não terá forças para subir
à garganta e tornar-se, enfim,
um soluço real. Daí o ardil de
apresentar-se como pergunta:
O que você vai ser quando crescer?
Uma imponente ruína?
Um cadáver ilustre?
Um fantasma de estimação?
Ainda não dá para saber
se teremos tempo para tanto.
Mas já é possível ver que, sem mim,
não haverá transubstanciação;
sem mim, você não crescerá,
não me esquecerá, não irá embora,
não se tornará um estranho.
E não use os verbos no futuro, ainda.
Ainda estamos aqui, sentados
no negro interior do amor.
E o que se quer do amor, além
dos seus poderes de ilusionista?
É a minha vez de estar à porta
do seu teatro mágico. E bato.


Words by Lívia Soares 
Photo by Diane Arbus

3 comentários:

Ch disse...

Minha cara;
Estou gostando de ver esse desabrochar do A Dama Oculta, através de versos cada vez mais pungentes e belos.
Se vc está no caminho certo? Mas é claro que sim. Não tenho dúvidas que este é o caminho, esta é a rota.
Os versos de No Limiar dizem muito de amplidão e incertezas, elementos pelos quais os bons poetas, como você, transitam desembaraçadamente. Gostei bastante deles.
Um abraço do amigo.
Carlos

Edna B. disse...

CAra Lívia,

No Limiar é um poema intenso, onde as perguntas e as respostas se desenrolam no decorrer da leitura, gostei em especial qdo indaga:

O que você vai ser quando crescer?
Uma imponente ruína?
Um cadáver ilustre?
Um fantasma de estimação?
Ainda não dá para saber

Lembrei-me de mim mesma,

Muitas perguntas, inúmeras respostas...algumas sem nexo, tb as faço, me olho no espelho, e pergunto: quem é vc? vc está de costas?
pq não responde?
Cara Lívia, a vida realmente é isso, perguntas e perguntas e perguntas...
Agradeço sua visita, e aproveito em aqui estar para desejar-te votos de uma boa noite e bom resto de semana, que sua luz brilhe sempre e sempre.
abraços

Tania disse...

Olá Lívia,

Cheguei até aqui por notar os enlaces nas bonitas casas de Carlos e Edna, novos amigos. E gostei muito da sua poesia, é intensa nas palavras e nos silêncios...

Voltarei sempre. Um abraço.