quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Dos "Cadernos de Poesia": Mary Magdalene's Sister


Vês? Eu tenho um tesouro guardado

ali, entre as róseas colunas do Templo

eu venho guardando um tesouro

ali, onde o pecado opera seus Milagres

eu guardo uma caixa de palavras

ali, na garganta aberta da Sereia

eu guardo palimpsestos e códices

ali, onde a Carne é mais viva

eu guardo uma arca de mitos

ali, onde a era de Peixes reverbera

eu guardo uma armadura e um juramento

ali, no secreto centro da Rosa

eu guardo preces mudas de outro tempo

ali, onde os teus Pés finalmente pousam

guardei este vinho, que brota só porque vieste.





Words by Lívia Soares
Painting by Susan Jamison

14 comentários:

Analuka disse...

Querida Lívia, amei tudo: a belíssima e mágica imagem de Susan, e o poema pleno de sentidos, que colorem a alma e escorrem por entre as letras e linhas delicadas... Sempre um prazer pousar por aqui. Beijos doces.

Graça Pires disse...

Um poema cheio de sensualidade, onde há segredos e palavras ocultas. Gostei muito. Um beijo.

Vieira Calado disse...

Esbelto o poema, bela a ideia.
Curiosamente tenho um poema que me fez lembrar este, ou vice-versa,
mas é bem mais pequeno.
Um destes dias sai.
Beijinhos

schadenfreude disse...

ola querida,
são mutuos os desejos de bom ano novo,
gosto de ver quando os poetas escrevem coisas apaixonadas,
amo o romance,mas ele me detesta,rs.
sim sim sempre é sedetor meu espaço,não querendo estar em fuga da modestia,
não sou,sou um ser metido,kkkkkkkk,
na verdade sou um cumulo da vergonha em forma de pessoa,
mas fico feliz quando recebo elogios e mais ainda quando recebo convites de tão adoravel escritora,
teu poema cheio de sedução e de sutil convite,é algo que alegra a alma,ja que os poetas com que mais me aproximo são os poetas malditos,me faz lembrar de dedos que ja foram tão romanticos e convidativos que mal podiam ser ignorados,
dedos meus que foram cortados,
guardo os com carinho em uma caixa de vidro,escrito QUEBRE EM CASA DE LOUCURA,
qualquer dia...sim...um dia desses coloco algo que soe tal convite feito esse teu belo poema,
ando com chagas da inveja comendo meu corpo,e a inveja não é nem de longe meu pecado preferido,bem,mas não é disso que se trata meu longoooooooo comentario,
sim,adoro a sensualidade escondida na sensibilidade,gosto de coisas sutis,mas adoro coisas escancaradas,
sou paradoxo,
é sempre bom vir aqui,roubar um pouco de tuas palavras,elas completam um pedaço de mim que anda em fuga,
mais um vez,belo poema,
e um ano cheio de coisas boas para tu querida,
beijos

Edna Battaglini disse...

Lívia querida,
sempre prazeroso "ler" vc, cheia de encantos e mistérios, e como são envolventes! Esse em espscial com a imagem escolhida sabiamente,nos transporta a um lugar onde os sentidos brotam de uma forma arrebatadora.
Resta-me parabenizá-la por mais esse presente que nos brinda
abraços, com saudade

Tinta Azul disse...

Lindíssimo, Lívia.
É um prazer que estejas de volta.
Obrigada, também, pelas tuas palavras lá no meu cantinho.
Abraço.

Nena Dolores disse...

Lívia

Sutileza, delicadeza e sensualidade. Lindo esse poema,parabéns, adorei!

Quanto ao Agostinho, não vi problema algum em chamá-lo assim, viu ...rs

Beijo carinhoso

JuanBM disse...

Estimada Livia

Este poema donde la carne está habitada, descubriendo el símbolo, el sentido sencillamente me estremece.

Saludos

Mariadosol disse...

hummmm Interessante! Vou voltar

Ricardo Soares disse...

descobri seu blog através do vendaval com poesias... muito bom gosto o seu ! bj

Tania disse...

Que belíssimo poema, é sensual, tão vivo, e tem essa sua maneira surpreendente e elegante de passear pelo mundo das palavras, dos sentidos.

Fico cada vez mais admirada com a sua poesia.

Um abraço, querida Lívia.

schadenfreude disse...

destroços do amor minha querida,
é tão estranho o fato que tornou-se motivo de riso,
e aqui...ah sim,uma coisa que gosto muito,poemas que falam sobre sensualidade,
ja falei isso,mas não me custa repetir,
muito bom teu espaço.
beijos

Ch disse...

Caríssima;
Retorno ao blog e ao convívio dos amigos, antes do término do mês, já saudoso de todos os amigos, e da nossa turma.
Volto, por conseguinte, aos seus domínios, onde uma nova edição dos Cadernos de Poesia me enche de júbilo. "Mary Magdalene's Sister" possui uma suntuosidade que nos fervilha, diria, com extrema delicadeza. Acredito que o segredo da poesia realizada com arte está justamente aí: proporcionar, através de cada abordagem, um longo mergulho.
Abraços do
Carlos

Ana Isabel disse...

Cara Lívia

Gostei muito deste poema!

Abraço
Ana Isabel