sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Dos "Cadernos de Poesia": Penelope Reloaded, Embracing The Breeze






Abraçando a brisa com suas lágrimas,

límpida, junto ao mar, ela espera.

E o que espera ela? Que o grande céu líquido

se mova, constelações dispostas ao presságio,

ante suas retinas que inteiras se molham?

Que o doce hálito da miragem, desde

a fímbria do Ocidente, venha a sussurrar:

"Está vindo, está vindo...", é o que ela espera?

Cerrando os olhos, talvez possa ler

os sinais salgados na própria face:

haverá, no sopro oceânico, mensagem?

Esse perfil se esfumando ao longe

é o fruto do trabalho dos seus dias.

Tudo que ela sabe está aqui, condensado

no instante: interrogar os deuses, o Deus,

perder-se. Para que se cumpra o milagre.

Na sua tapeçaria de algas, uma linha prateada

se desmancha no ponto exato

onde o céu se liquefaz:

os nautas lhe chamam "horizonte".





Words by Lívia Soares
Photo by Patrick Jablonsky

11 comentários:

Graça Pires disse...

Todas somos Penélope. Todas fazemos e refazemos a manta de retalhos da vida. Todas sabemos que Ulisses chegará.
Um belo poema. Um beijo.

Ch disse...

Somos nós, por toda essa carga hereditária ibérica, ligados intimamente ao mar, não é mesmo?
E quando o indivíduo se posta frente ao mar, pés desnudos, sentindo a brisa ancestral, tem-se o próprio poema tornado personagem.
Saudo-a, portanto, em "Penelope Reloaded, Embracing The Breeze", lembrando os primeiros que se lançaram além fronteiras, dos seus penhascos, de cada "land's end", na busca pelo que não se pode abarcar com os braços, mas que produz tanto encantamento quanto o próprio oceano e o rumor que carregamos por dentro.
Belos versos!!!
Abraço do
Carlos

marcella rarumi disse...

lívia, tuas atenções me fazem acalmar. às vezes me tiram a humanidade que tanto prezo e busco, mas que também tanto me faz mal. sim, sou só mais uma gente, mas ainda bem que posso concluir isso. não é mesmo?! sei que faço muito disso também: abraçar a brisa com lágrimas.
.
és tão doce para mim quando ch, acredite.
.
beijos tantos!

Yuri Assis disse...

bom é se perder no mar. lindo poema!

boa noite :D

Yuri Assis disse...

p.s.: vim aqui através do blog da ana luisa, o ânkoras & asas.

Edna Battaglini disse...

Lívia, sempre um prazer aqui estar,
e sentir toda sua poesia, essa em especial, me fez sentir meio como
"Penelope", acreditando ainda em milagres. Doces e encantadores milagres, que devem estar realmente entranhados em algum labirinto que o horizonte secretamente aguarda para de alguma forma concretiza-los.
Lindo Lívia, deixou-me com a sensação de sentir essa brisa molhada de lágrimas...
abraços.

Tania disse...

Querida Lívia,

Passei por aqui ontem e encontrei este lindo poema. Então fiquei em silêncio, envolvida pelas sensações de mar, mistério e claridade que nacem dele... Hoje volto para agradecer-lhe tais sensações, que maravilha você faz com as palavras.

Beijos!

Tinta Azul disse...

Também eu me rendi ao mar, apesar de ter nascido na montanha. O que gosto mesmo é da combinação de ambos. Tal como gosto da tua poesia e de visitar este belo cantinho encantado.
Abraço.

Nena Dolores disse...

Lívia

Gostei muito, senti certa identificação, talvez porque o mar sempre faça parte de minha vida caiçara, talvez pelas memórias, enfim, a identidade com o mar é forte.

Desculpe o sumiço. Agora voltando aos poucos.

Beijo carinhoso

Edna Battaglini disse...

Lívia estamos sentindo sua falta
abraços

schadenfreude disse...

minha querida Lívia,
não sei nem o que comentar,
lindo poema que escolheste para inundar os olhos de quem a visita,
só me resta desejar lhe boa noite,
abraços